domingo, 26 de abril de 2009

Ensinando racismo (e auto-depreciação) às crianças


Uma criança negra, uma menina, foi chamada de macaco (“mico-leão”) em um gibi de Mauricio de Sousa, por não ter o cabelo liso.

 

         Não podemos aceitar esse tipo de ofensa! Todos devemos escrever para os responsáveis!

 

         Enviamos anexo a história completa com a capa do gibi (Ronaldinho Gaúcho, n°24, Dez/2008 - RG A Deise 01) mas destacamos no primeiro anexo (RG A Deise 00) os principais quadrinhos ofensivos, colocamos abaixo os endereços de email dos responsáveis pelo gibi, para que todos escrevam manifestando o seu repúdio.

 

         O que essa história está ensinando a nossas crianças?

 

         Que mensagem essa história envia para as crianças negras deste país?

 

         Está lhes ensinando a não aceitação de sua própria beleza, está lhes ensinado a terrível mentira de que, para ser aceitas e não serem confundidas com o macaco “mico-leão”, devem estar dentro de um padrão de beleza branco, com o cabelo liso. Essa história está ensinando às crianças negras a não gostarem de si como são, a não terem auto-estima.

 

         E que mensagem essa história envia para as crianças brancas deste país?

 

         Está lhes ensinando desde cedo o racismo, a discriminação, a verem as crianças negras como diferentes, a abominável mentira de que as crianças negras para não serem “confundidas” com um macaco “mico-leão” tem que mudar sua própria aparência.

 

         Iremos permitir que ensinem essas mentiras a nossas crianças?

 

         Deixaremos barato? Faremos de conta que não aconteceu?

 

         Miriam Leitão disse uma vez que se discrimina no Brasil porque é barato discriminar, isto é, não se cobra, não se denúncia, não se faz.

 

         Nosso mais profundo apelo é: DEIXEMOS CARO, deixemos muito caro.

 

         Por favor, vejam, estamos falando de nossas crianças, estamos falando do futuro, do Brasil daqui a 20, 30 anos!

 

         Se permitirmos que ensinem impunemente o racismo a nossas crianças quando iremos nos livrar desse veneno? Nunca!

 

         Temos que fazer nossas vozes serem ouvidas! Temos que dar um basta! Isso é dever de cada um.

 

         Estes são os endereços dos responsáveis:

comercial@hitpublish.com.br

instituto@institutomauriciodesousa.com.br

msp@turmadamonica.com.br

imprensa.panini@litera.com.br

         É muito importante para nós sentirmos que nosso trabalho de denúncia tem dado resultados, por isso pedimos que encaminhem uma cópia oculta para nosso endereço:

ativismonline@gmail.com

 

         Também pedimos que encaminhem essa mensagem àqueles que vocês sabem que também manifestarão o seu repúdio, para que nossos esforços sejam multiplicados, e para aqueles que podem tomar uma providência legal.

 

         Lembramos ainda que, em 17.04.2009, o Jornal Nacional da Globo exibiu uma frase racista de uma cabeleireira. Na matéria sobre Angola, na Africa, ela ao dizer que as angolanas procuravam no salão o que chamavam de “cabelo brasileiro”, explicou que “quando elas estão procurando o cabelo brasileiro, estão procurando o cabelo liso, o famoso cabelo bonito”.

 

         Associando, evidentemente, o cabelo próprio do negro à feiúra, à negatividade, estabelecendo como único padrão de beleza o cabelo liso.

 

         Interessante que a matéria destaca que as angolanas gostam de ver novelas da Globo, já dá para saber de onde elas tiraram que o “cabelo brasileiro”, o “cabelo bonito” é o cabelo liso, deixando de enxergar a beleza de seus próprios cabelos.

 

           um comentário sobre a matéria no site da Afrobras:

http://www2.afrobras.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=484&Itemid=1

         A matéria pode ser vista no seguinte link:

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1006190-7823-ANGOLA+TEM+CRESCIMENTO+ECONOMICO+E+POBREZA+EXTREMA,00.html

         É possível deixar comentários na página:

http://especiais.jornalnacional.globo.com/jnespecial/2009/04/17/cenas-do-cotidiano-do-povo-angolano/

         É muito importante que todos nos manifestemos na página acima contra essa frase racista!

         Também é possível enviar mensagens para o Jornal Nacional em:

http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,FEF0-10476,00.html

 

          Essas duas manifestações de racismo contra o cabelo dos negros nos lembrou de Malcolm X ao perguntar:

“Quem te ensinou a odiar a textura do seu cabelo? ...”  Vemos que essa pergunta de Malcolm X ainda tem que ser feita hoje! O vídeo pode ser visto no link:

http://www.youtube.com/watch?v=2x8KgPf8Pq0    [~2 min.]

 

         Recomendamos a todos.

 

         Esses fatos também nos lembraram da música “Respeitem meus cabelos brancos” de Chico César.

 

         Confrontemos o racismo, nos calarmos é dar nossa permissão para que isso continue, calar é concordar com o opressor, como nos ensina Jane Elliot no documentário “Olhos Azuis”, que também recomendamos a todos:

http://www.youtube.com/watch?v=o_pS05t7liw

 

         Construamos um Brasil mais justo, confrontemos o racismo!

         Abraços,

Ativismonline – Malaika e Marcelo.

14 comentários:

Anônimo disse...

Para com isso, vcs mesmos estão disceminando o racismo. Essa interpretação está vindo de adultos maliciosos, aposto que nem as crianças e nem o Mauricio desousa quiseram passar isso mesmo, ainda mais pq no desenho a guria não tem o cabelo crespo, de fato.

Parem com a malícia, ser humano é um só, independente das cores de suas peles.

Raul Libório disse...

Meu velho, pelamordedeus... ISSO NÃO É RACISCMO, É VAIDADE! A menina(assim como 99% das mulheres) gostam de estar sempre arrumadas, lindas, cheirosas E COM O CABELO PENTEADO. Se o original do personagem fosse com o cabelo assanhado, ela não se preocuparia em ajeitá-lo, porém, não é o que acontece! O personagem demonstra que é vaidosa e seu cabelo não está de acordo com o seu default. Deixa de ser xiita!

Anônimo disse...

Cara,você está achando que faz parte do Movimento dos Panteras Negros com esse blog?

O Racismo não acabou,mas compara com o de 20,30 anos atrás.Está sumindo. Tudo o que se mantém é aquele racismo íntimo,que alguns tem,e com vergonha,e pra combater isso,tem que ou esperar essas idéias idiotas morrerem juntos com as pessoas idiotas,ou torcer pra que elas mudem de boa vontade.

Agora,auto-perseguição e paranóia racial só pioram a situação. É tão ruim quanto homossexuais fazendo campanhas pro big brother,como se fosse resolver o preconceito que sofrem...deviam perceber que a personalidade deles faz eles terem a opção que escolheram,e não o contrário.E na boa? A nova geração,da galera dos 20 anos,não dá a mínima pra essas coisas. Então vê se pára de ser racista consigo mesmo e de encher o saco com teorias de conspiração.

Sabrina Gledhill disse...

Recentemente, num seminário no Centro de Estudos Afro-Orientais da UFBA, uma colega mostrou uma imagem feita por uma criança negra quando pediram que ela retratasse uma menina de sua cor - ela colou Bombril no lugar do cabelo. Sinal que o baixo auto-estima da criança negra (principalmente em bairros populares) está longe de ser questão de mera "vaidade". É uma coisa alisar o cabelo por conveniência e vaidade e outra fazê-lo porque "cabelo duro" é considerado feio.
O Brasil não é o único caso do impacto da estética "branca" - por exemplo, já vi vários relatos nos jornais internacionais sobre mulheres e homens negros, até na África, que usam produtos perigosíssimos para clarear a pele.

Thyago disse...

A internet é um lugar difícil. Precisamos nos unir contra pessoas que acham que sabem do que estão falando e saem escrevendo livremente suas opiniões sem sentido pra qualquer criança ler na internet. O seu blog suja o nome do indivíduo que você tenta homenagear.

Sabrina Gledhill disse...

Prezado Thyago,
Lamento que pense assim. A intenção é de incentivar o diálogo, da maneira mais civilizada possível (assaz difícil na Internet).

Anônimo disse...

Por favor, deixem de procurar pelo em ovo e trabalhem com algo efetivamente útil no combate ao preconceito...

Sabrina Gledhill disse...

Devido a reclamações, não postaremos mais comentários que incluam palavrões. Desde que respeitem esta norma, teremos o maior prazer em publicar seus comentários, mesmo que discordemos de seu conteúdo.

Sabrina Gledhill disse...

O auto-estima visual do negro fez parte do trabalho anti-racista de Manuel Querino. Recomendo o artigo da autoria de Christianne Vasconcellos, publicado neste blog

Thiago Viana disse...

Vou ser sincero...eu não vi nada de errado com este quadrinhos....realmente cabelo liso é tido como o cabelo "perfeito"..mais a maioria das mulheres(não importando a cor)faz a famosa chapinha...ou ja fez....aceitar o cabelo sem ser liso é um tabu para negras,brancas de cabelo encaracolado..ou armado...enfim...eu acho q esta materia deveria falar sobre a "ditadura do cabelo liso" q a maioria das mulheres(não importa a cor) são vitimas,não como um ato de racismo...minha opnião..

Blog Educação Física CMLEM - Rosivalda Barreto disse...

O Brasil é o país mais racista do mundo. O pior racista é aquele que esconde o seu próprio racismo. Porque as pessoas alisam os cabelos? Porque não encontramos a minoria de estudantes negros em universidades? Por que o corpo docente das universidades brasileiras é formado por brancos? Porque as periferias do Brasil inteiro é habitada por maioria negra? Por que foram realizadas pesquisas pela UNESCO para que a democracia racial do Brasil fosse copiada pelos países declaradamente racista e depois da pesquisa se percebeu que a democracia racial no Brasil é uma farsa que o negro ocupa sempre os piores lugares da sociedade brasileira? Porque será que os negros nos bairros nobres estão sempre nas portarias e nos serviços domésticos e de limpeza? Teriam todos estes negros determinados para si mesmo toda esta discriminação? Porque não queremos políticas afirmativas? Lógico que a causa disto é o racismo enraizado no íntimo da elite branca brasileira? Porque a maioria das mulheres negras terminam seus dias de vida na solidão? Teriam elas decidido ficarem solteiras convictas? porque nos shoppings centres a minoria de vendedores são negros e encontramos negros nas lojas de alimentação, sempre no balcão ou na cozinha? Acho que todos os negros decidiram que seriam cozinheiros. Acho que estas pessoas que estão falando sobre a ausência de racismo no Brasil e simplificando ou relacionando racismo com preconceito estão equivocadas e são as verdadeiras racistas. Todas as pessoas estrangeiras que vem aos Brasil vêem de imediato o racismo neste país? Um país que tem vergonha de sua descendência africana não é racista? Que tentou provar cientificamente a inferioridade e futuro desaparecimento do negro? Que proíbe entrada de africanos. Realmente é querer tampar o sol com uma peneira. Um país que propaga a escova permanente porque não consegue ver o cabelo crespo do outro. Que prende homens negros que trançam cabelos alegando que este é marginal pelo seu cabelo. Que agride uma atriz moçambicana dentro de um shopping? Estes todos que estão contra esta manifestação olhem para dentro de si e veja suas reações ao olharem o cabelo de um negro, se olham da mesma forma uma mulher negra e uma mulher branca. Porque as crianças negras não são adotadas nos orfanatos? Acordem racistas e deixem de cair em cima das pessoas para que elas calem e deixem fechada a ferida do racismo que existe dentro de cada brasileiro.

Pati disse...

Você acha que é racismo a menina achar que está parecendo uma espécie de macaco porque ta com o cabelo arrepiado? Detalhe, o cabelo é laranja! Segundo, ela mal é mulata, quem dera negra. Se o Sr. Autopiedade ver, vai perceber que tem outros personagens nesse Gibi que são negros, e no caso a tinta que é feita a pele é de um tom mais escuro!
Se é racismo a menina querer alisar o cabelo, então é "auto-racismo" essas tantas negras lindas que tem por aí queimando o cabelo com tanta química só pra deixar liso!? Aliás, tem muito cabelo cacheado lindo! Nesse caso do gibi, nem era cacheado! Era ondulado e ruivo, e eu posso lhe garantir que é muito mais difícil de lidar com um cabelo assim do que cabelo bem cacheado! (vai por mim, trabalho em um salão). TIRA O PRECONCEITO DA SUA CABEÇA! Você vê tanto preconceito por aí de tanto que você procura!

Íria Paz disse...

Pati diz que "a menina mal é mulata". Pati, vá ler, GOMES, MUNANGA, COELHO entre outras CENTENAS de autores que tratam de da temática RELAÇÕES RACIAIS antes de postar suas concepções equivocadas sobre assuntos os quais desconhece (definição de cor, raça e etnia por exemplo).
Outros aqui não sabem diferenciar racismo/preconceito de vaidade.
Um disse que "o racismo está sumindo". Para este recomendo as mesmas leituras que eu mencionei para Pati.
Concordo com Thyago quando ele diz que é necessária a união contra o conteúdo postado por pessoas que não sabem o que escrevem na internet. Comecemos por ele.

A temática das Relações Raciais revela o tenso debate existente sobre a questão na sociedade. O Brasil é o país do racismo velado (explicando para quem não conhece o termo: significa mascarado, escondido etc.), aqui as pessoas negras são chamadas de diversas formas: mulatas, morenas, escuras, morenas claras etc. Todas estas formas visam substituir o termo negro (a). Certas pessoas ousam afirmar que não se referem a outra como negra por dizer que aquela se ofenderá com o termo.
Brancos ou negros, não importa, o que se observa é que as pessoas não conseguem enxergar além da cor da pele, portanto, não conseguem utilizar o termo negro (a).
Se formos fazer uma breve e simples pesquisa para a definição de negro (a) e branco (a) aceita e utilizada no meio acadêmico, uma pessoa de pele cuja tonalidade é mais escura ou mais clara se encaixará como negra ou branca dentro desta concepção que não se estabeleceu com embasamento no senso comum, como os termos "mulato" ou "moreno", mas é fruto de estudos sistemáticos sobre conhecimentos científicos, históricos, sociológicos, geográficos, filosóficos entre outros.
A maioria das opiniões aqui postadas não apresenta nenhum tipo de relação com conhecimento sobre a temática. Trata-se de postagens sem nenhum embasamento teórico. Nota-se que se originam em experiências cotidianas limitadas e revelam a ignorância de muitos brasileiros acerca de preconceito, racismo, estética, beleza etc.
Recomendo a estes, que no lugar de utilizarem a internet para inutilidades, utilizem-na para adquirir conhecimento.

Nilton Figliolo disse...

Que bom que a discussão começou a se ampliar, a partir do comentário da sra. Iria. Creio que mediar a discussão poderia ser um bom começo para irmos além das questões pessoais, raciais, legais e acadêmicas.A questão poderia ser a identificação de pontos de convergência no sentido de "destrinchar" os significados simbólicos possiveis???