quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Nada de novo no front

Ildásio Tavares

       Como boa parte dos fenômenos humanos, o ano novo é uma convenção que varia de civilização a civilização. Nosso calendário
Gregoriano  sofreu uma correção severa. De repente descobriu-se que os anos, contados a partir do nascimento de Cristo estavam embolados.
Foi feita uma rigorosa escansão e voltamos a nos situar perante o nascimento do Filho de Deus. Nós, inclusive estendemos o período em um antes e um depois, os famosos A.C. e A.D.. O tal de A.C, só servia pra me atrapalhar quando eu estudava História porque ele é contado de trás pra frente aumentando quando diminuía. Eu também ficava invocado porque, se existia Antes de Cristo, A.C. porque não Depois de Cristo, D.C. Insistiam em Annus Domini, ano do Senhor.
       Tudo convenção. Os árabes contam os anos a partir da Hegira, quando Maomé foi de Meca para Medina para escapulir de uma perseguição. Os judeus desde o tempo de Moisés, e já estão perto dos 6.000 anos. Os chineses, eu nem sei. E o tempo se perde nos confins do Egito e suas pirâmides de dezenas de século, como falou Napoleão.
Se formos pensar nas eras que já passaram por nosso planeta, vamos começar a ficar zonzos. E as estrelas? A mais próxima de nós, Alfa da constelação do Centauro está a 4 ½ anos luz, a bagatela de 9 trilhões de quilômetros. Estamos sós no universo.
    Perante essas coisas, reflito sobre o maior dos convencionalismos que é estabelecer uma data pra ficar feliz e the day after para incrementar esta felicidade. De 31 pra 1°  a galera se enche de planos, projetos, resoluções, faz simpatias, dá presente pra Yemanjá, vai a missa, ora, reza, roga, procura seu psicanalista, seu confessor, seu pai de santo, pendura uma conta lavada no pescoço, toma banho de folha e sem folha,faz o diabo, sem a consciência de que existe uma causa e efeito palpáveis no comportamento humano a partir de seus próprios atos. Quem planta abacate não colhe caju, Dentro de, no máximo uma semana de catarse anonovística o cabra já está pisando nas mesmas bolas em que sempre pisou.
      De ilusão também se vive. É claro que movimentações coletivas de energia positiva só podem desprender esta energia e ser benéfica pra todos. Mas cada um a vai receber a seu modo, com sua sensibilidade, com sua maior ou menor predisposição para corrigir seus erros. Há uma evidente interação de processos subjetivos e objetivos com benefícios, creio,imediatos no momento em que atuam. Mas o encaminhar-se de um novo ano depende muito mais do caminhante do que as promessas de renovação astrológica, tarôlógia ou dos búzios possam prever, O futuro a Deus pertence. E há todo tipo de ópio.
      Em 2010 vou curtir 70 anos. Deus do Céu! Quando eu pensava em ter 70 anos, via-me alquebrado, quiçá meio gagá,.caindo pelas tabelas. E ainda jogo capoeira. Escrevo todo dia. Jamais acreditei seria um escritor de muitos livros publicados, como até sonhei, menino de 8 anos em Feira de Santana, advindo das brenhas do cacau e fascinado por Monteiro Lobato. Jamais pensei ter 46 canções gravadas. E tanta coisa. Pode vir 2010. Do alto do poeta, 70 anos vos contemplam.
   

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Mãe Stella comenta crime das agulhas

Danile Rebouças* | A TARDE
Em entrevista coletiva concedida na manhã desta quarta-feira, 30, a Iyalorixá Mãe Stella de Oxóssi, do Terreiro do Ilê Axé Opô Afonjá, comentou o atentado cometido contra o garoto M.S.A, de 2 anos, e descartou qualquer relação do crime com as práticas das religiões de matriz africana. De acordo com a líder religiosa, nenhum ritual do candomblé envolve maus tratos e agressões.

No último dia 15 de dezembro, a criança foi internada com dezenas de agulhas no corpo, inseridas por seu padastro, Roberto Carlos Magalhães Lopes. De acordo com Mãe Stella, muitas pessoas associaram o ocorrido com o que popularmente é conhecido como "vudu". "Na verdade, o termo é usado por uma nação africana para chamar as entidades adoradas, os orixás. Não tem nenhuma relação com rituais feitos com agulhas", esclarece.

De acordo com Mãe Stella, a religião de matriz africana trabalha com a cura do espírito e não envolve supostos rituais curandeiros. "As pessoas ficam inventando histórias que não existem. Nenhuma religião séria tem esse tipo de prática" disse.

A Iyalorixá lamentou ainda o envolvimento de uma suposta mãe-de-santo no atentado. "Muita gente diz que é do candomblé por não haver uma regulamentação da religião e isso só gera mais preconceito", afirma. Além disso, para Mãe Stella, a interpretação do crime como um suposto ritual de magia negra gera ainda mais equívocos.

A líder espiritual também expressou o repúdio de toda a comunidade adepta da religião de matriz africana ao ocorrido e a corrente de orações que têm sido feita para o garoto M.S.A. "Ele é um herói. Estamos pedindo aos orixás que dêem forças para que ele se recupere logo", concluiu.
*Com redação de Danielle Villela, do A TARDE On Line.

http://www.atarde.com.br/cidades/noticia.jsf?id=1325425 

sábado, 26 de dezembro de 2009

Convite a exposição fotográfica no MAFRO

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Mensagem da fotógrafa:

Caros amigos, colegas, combatentes.


Durante alguns anos fotografei a decoração das festas no Terreiro da Casa Branca.

A simplicidade e a beleza com que estes espaços são arrumados me emocionam. Com a permissão de Mãe Tatá, tentei captar parte deste esplendor e compartilhá-lo com quem conhece, ou com quem nunca teve oportunidade de participar de uma festa de candomblé.

Aguardo todos vocês, e peço que divulguem este convite.



Regina

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

"Autobiografia" de Manuel Querino

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Quando Manuel Querino escreveu Artistas Bahianos, incluiu um verbete sobre ele mesmo. Segue o texto em PDF, da segunda edição do livro, lançado em 1911.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Video Convite Yalorixás no Século XXI


Bom dia queridos e queridas,
Agora é pra valer. Nosso projeto Yalorixás no Século XXI acontecerá no dia 15 de dezembro. Preciso do apoio de todos e todas na divulgação, esperamos lotar a Biblioteca Central, com a presença de todos e com uma força na divulgação. Vejam video (link) abaixo e convite acima.
Muito obrigado
Alberto Lima
71 - 33342948 - 99593975



www.youtube.com/watch?v=wtRuXAkFo0o

sábado, 12 de dezembro de 2009

O Uso de Fotografias de Africanos no Estudo Etnográfico de Manuel Quirino

Este artigo da autoria de Christianne Silva Vasconcellos analisa o ensaio etnográfico empreendido por Manuel Raimundo Querino: A raça africana e seus costumes na Bahia, procurando, sobretudo, entender a maneira como o autor utilizou a terminologia do evolucionismo social para destacar os aportes dos africanos na cultura baiana. O ensaio contém fotografias de pessoas africanas, autoridades do candomblé, festividades e objetos da cultura material dessa religião, as quais serviram de suporte visual na etnografia feita pelo autor. O uso dado por Querino às imagens e a análise da cultura africana no marco do evolucionismo social resulta particular quando comparado com outras os estudos acerca dos africanos na Bahia no inicio do século XX.

Clique no link para fazer o download do artigo (em PDF)
http://revistasankofa.googlepages.com/Documentaoousodefotografiasdeafrican.pdf

sábado, 5 de dezembro de 2009

Assalto de Orixás

Ildásio Tavares

Antigamente, era a polícia, invadiam os pejis, profanavam os orixás, arrebentavam tudo, tudo destruíam em nome da lei, lei que acobertava os desmandos do poder mas queria exterminar a religião de um povo oprimido. Será que alguém, calmamente sentado em frente a seu televisor pode imaginar ser arrancado de sua cadeira e, impotente, ver toda sua família desbaratada, acorrentada, vendida, vilipendiada?
Será que alguém pode imaginar a travessia do Atlântico, num porão infecto, arrumado aos magotes, como carne para o açougue? Os holandeses de Pernambuco traziam 500 escravos num iate, num tráfico de trocas injustas. Uma partida de fumo rendia mais de cem escravos que eram convertidos em várias partidas de fumo que eram trocadas por centenas de escravos. Em três ou quatro viagens o traficante podia comprar terras, se estabelecer. Melhor que cavar ouro.
Os remanescentes deste tráfico tiveram, na diáspora, seus mecanismos de sobrevivência e neste processo a cultura é fundamental – a religião um esteio. Uma super-raça se formaria. Em torno de seus sagrados orixás. O Ilê Axé Opô Afonjá vai fazer cem anos em 2010. Cem anos que Eugênia Ana dos Santos plantou o axé de Afonjá no São Gonçalo, num gesto de majestade que ecoaria em grandeza.
Verdadeira estadista, Mãe Aninha governou o axé com hábil mão política, tendo sido seu principal artífice. Por fortuna, logo ao se apossar dos 155mil m2 do Axé, descobriu uma fonte copiosa e em torno dela fez a casa de Yemanjá, assentando sua Yemanjá da nação de Grunci. Em seguida procedeu aos trâmites do Axé. O Ilê Axé Opô Afonjá é uma réplica do Reino de Oyó, em 1839 destruído pelos árabes. Ela, era a suprema sacerdotisa, a Iya Nassô. O Balé Xangô, era Theodoro Pimentel, pai de Mãezinha, futura Iyalorixá da casa. O Xangô assentado respondia pelo santo. Quando surgiu disputa com o Balé Xangô, Mãe Aninha criou o corpo dos doze obás de Xangô, ampliado para 36 por Mãe Senhora, outra estadista como Mãe Stella...
A fina flor da inteligência, da arte, da literatura baiana têm pertencido a esta casa. Jorge Amado. Carybé. Genaro de Caevalho, Vivaldo Costa Lima, Pierre Verger, Vasconcellos Maia, Dorival Caymmi, Dmeval Chaves, Gilberto Gil, Camafeu de Oxosse, Muniz Sodré, são alguns dos obás que dignificam e dignificaram a casa.
Ouço dizer com indignação que vândalos inescrupulosos invadiram e depredaram a casa de Oxalá na calada da noite. Um absurdo. A casa de Oxalá é um dos poucos exemplos que conheço de um compound africano na Bahia, morada coletiva e santuário coletivo de Oxalá, o orixá supremo e das aiabás. Crime, profanação, sacrilégio, a polícia tem que tomar providências urgentes. Imaginem se invadissem a Igreja do Bonfim. Seria uma celeuma nacional. Mas invadir um templo negro arrisca-se ao pouco caso. Coisa de preto. Pouco caso que não pode existir na Bahia, Sr. Governador. O senhor é judeu. Sabe que, quando começam perseguições étnicas como esta a coisa pode virar e, geralmente, os judeus são as primeiras vítimas. É preciso acabar com essa Inquisição contra a raça negra. Com esses Progroms.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá é invadido e revirado por vândalos

Ladrões invadiram, nesta segunda-feira, o terreiro do Ilê Axé Opô Afonjá, em São Gonçalo do Retiro. Entre os 20 quartos que foram invadidos e revirados está o espaço sagrado de Oxalá. “Foi um episódio de vandalismo”, reclamou o ogã Ribamar Daniel, presidente do Conselho Civil da Sociedade Cruz Santa do Axé Opô Afonjá.

O crime aconteceu por volta das 4h30. Pouco depois, o segurança do terreiro se deu conta de que os quartos do terreiro haviam sido invadidos. De acordo com o ogã, os bandidos fizeram um buraco que deu acesso à cozinha da casa onde os filhos de santo se hospedam durante os trabalhos e rituais.

“Mas não tinha nada de valor lá. Estava tudo fechado, os trabalhos foram finalizados e a Casa estava isolada”, explicou o ogã. Para Daniel, o crime pode ter sido praticado por pequenos usuários de drogas da localidade. “É uma falta de respeito para com um espaço religioso”, indignou-se.

Esta não é a primeira vez que o templo é invadido. “Todas as vezes registramos queixa na 11ª CP (Delegacia de Tancredo Neves)”, lembrou o ogã.

Providência - Indignado com a ação, Ribamar Daniel disse que entrou em contato com o secretário da Segurança, César Nunes, que se comprometeu a enviar uma viatura ao local.

Nesta segunda à tarde, uma equipe do Departamento de Polícia Técnica (DPT) realizou a perícia. “Esperamos que haja um retorno por parte dos poderes públicos”, declarou o ogã.

Após a perícia, o local por onde os bandidos invadiram o terreiro foi fechado, assim como foram lacradas as portas dos quartos.

O crime vai ser apurado por policiais do Serviço de Investigação (SI) da 11ª CP (Tancredo Neves), comandados pela delegada plantonista Simone Moutinho.

http://www.atarde.com.br/cidades/noticia.jsf?id=1297061

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Invasão na casa de Oxalá do Ilê Axé Opô Afonjá

É com tristeza que comunico que o Templo Sagrado do Ilê Axé Opô Afonjá, foi invadido nessa madrugada e a casa do nosso Pai OXALÁ, teve todos os compartimentos violados e revirados por marginais.
Temos que pedir orientação a OLORUM, para podermos encontrar uma forma que possa acabar com tanta violência em nossa Cidade e Estado.
Vejam que as invasões nos terreiros de Candomblés, vem acontecendo sistematicamente e as autoridades não fazem absolutamente nada, nem explicações a sociedade eles são capazes.
Não podemos mais ficar parados, aguardando soluções dos homens que ajudamos a colocar no poder, na tentativa de mudanças politícas.
O que precisamos dos nossos governantes é algo simples e que está ao alcance deles;
P A Z.
Peço a todos e todas que DENUNCIEM e DIVULGUEM, mais essa violência contra o AFONJÁ.
Axe!
Roberto Rodrigues Olugobenirá
Ogã de Iansã do Ilê Axé Opô Afonjá

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

domingo, 22 de novembro de 2009

Entrevista com Mãe Stella de Oxossi no Blog Bahia Notícias

Foto: Alessandra Benini / Bahia Notícias
O Blog Bahia Noticias realizou esta entrevista com Mãe Stella de Oxossi.

Os filhos e filhas de santo se aproximam de Mãe Stella de Oxóssi com os olhos vazando reverência. Ela os acolhe, ouve e aconselha a todos. Na verdade a presença da Ialorixá de 84 anos se impõe sobre a gente em redor, independente de crença, com uma firmeza suave. Mãe Stella não parece falar em nome de nenhuma religião, mas representar (encarnar) o sagrado de que a humanidade não pode abrir mão. Não há como permanecer incólume diante de seu apelo firme pelo respeito e o amor entre as pessoas. Nesta conversa ela reafirma uma vez mais as suas posições já bastante conhecidas, e por vezes polêmicas, com a sobriedade e o desassombro de quem, por saber o que diz, não precisa provar nada para ninguém. Presente de Dia da Consciência Negra.

James Martins – Eu quero que a senhora comece falando sobre a relação da religião com o poder, com a política, porque o candomblé, historicamente, teve uma relação conturbada com os poderes oficiais, com perseguição policial e tudo o mais, mas também, por outro lado a fundadora desta casa [Ilê Axé Opô Afonjá], Mãe Aninha teve uma boa relação com Getúlio Vargas, teve aquela lendária visita dela ao Palácio do Catete. E a Senhora, como é que tem se relacionado com...

Mãe Stella – A minha relação com Lula? (risos) Sim, porque se ela se relacionou com Getúlio Vargas eu posso me relacionar com Lula, não é? É a mais amena possível. Ele nunca nos perseguiu, e pelo gosto dele também ninguém é perseguido. E com os governantes de Salvador também, na atualidade, que aquelas coisas já passaram, de chefe de polícia e tudo o mais... Eu posso dizer que o candomblé resistiu àquelas opressões todas e por causa da força dos nossos orixás e do nosso merecimento, nós nos livramos delas. Agora, das maldades da atualidade fica difícil se livrar.

JM – Quais seriam essas maldades?

Mãe Stella – Maldades... filho matando mãe; outros matando por causa de uma camisa; outro querendo ofender algum outro; outro com conversas capciosas; tudo isso são ofensas que dão até para matar o sujeito. Mas, quando a gente tem compromisso com a verdade, compromisso com o bem, tudo isso é superado. A discriminação existiu e ainda existe mas a resistência do candomblé, do povo de axé, supera essas coisas todas. E nós não temos muito tempo para prestar muita atenção aos opressores, aos perseguidores. Nós estamos é trabalhando por uma causa que é a religião.

JM – E o candomblé tem essa relação de respeito aos mais velhos como um princípio, a relação com a ancestralidade. Isso tem faltado talvez hoje na vida cotidiana da sociedade?

Mãe Stella – É o sujeito não respeita mais o pai, nem a mãe, nem o mestre, não é? Todo mundo agora é muito igual. E o que segura a religião até hoje é a hierarquia, é o respeito pelo mais velho, pelo superior. E o superior, para nós, é o mais velho. E nós, mais velhos, que eu já sou uma senhora de 84 anos, temos a obrigação de trabalhar em prol da moral, dos bons costumes e das boas ações, para poder deixar plantado isso pra vocês que chegam depois, como um exemplo, para a gente poder viver feliz.

JM – E aí entra também a questão do ensino formal. Aqui no terreiro tem uma escola, batizada com o nome de Mãe Aninha, onde se ensina também a religião afro-brasileira, digamos assim, não é?

Mãe Stella – Nós não ensinamos a religião. Nós falamos sobre o candomblé de uma forma social, de uma forma didática, cultural... Não é ensinando propriamente candomblé, mas mostrando também que toda religião, como todo ser humano, merece respeito e consideração. Então, se o candomblé abriga uma escola, que é a Escola Eugênia Anna dos Santos, é evidente que nós também incrementamos aquele respeito para com a nossa religião, para com o povo de axé. E nós agradecemos também às autoridades constituídas que instituíram aquele decreto onde toda escola deveria ensinar alguma religião, sem ser forçado ensinar apenas tal religião, por que é a oficial. Não existe religião oficial. Toda religião é aceita, desde que não vá contra a moral, nem contra a humanidade.

JM – E quanto ao tombamento do Axé? Eu li uma declaração muito inteligente da senhora, argumentando com algum receio sobre o tombamento, porque, embora traga segurança, também tem o lado de manter as coisas estáticas, e a mudança também é necessária.

Mãe Stella – É, quando eu falei isso –e continuo dizendo- é porque, pra gente conservar qualquer coisa que tenha, até um simples anel, de vez em quando precisa dar um lustro não é? Se uma telha de sua casa cair você quer consertar. E o ‘Patrimônio’ [o IPHAN – Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional], ele gosta de conservar as coisas como eram no princípio. Eles acham aquilo de tal importância que não pretendem mudar. Mas quando a gente fala não mudar, não quer dizer que vai deixar cair porque não pode mexer. Se essa casa aqui, uma árvore cair em cima do telhado, é evidente que eu tenho que trocar o telhado. Isso não tá mudando, de maneira nenhuma, a arquitetura. E o meu receio era esse, que não pudesse mexer como a gente queria pra embelezar, pra conservar. Mas quando eu vi que não era isso, que era apenas para segurar o imóvel, então eu achei que seria uma coisa boa, principalmente por causa da especulação imobiliária, o lance das invasões e tudo e o IPHAN é um aliado.

JM – E falando nisso, teve aquele caso polêmico da derrubada de um terreiro pela prefeitura de Salvador.

Mãe Stella – É, eu soube pelos jornais... mas nem posso falar nada por que só soube pelos jornais mesmo.

JM – E ainda falando mais ou menos disso, segunda-feira eu estive aqui pro xirê de Iroko, e notei que vários trechos das cantigas sagradas foram estilizados e aproveitados por compositores em músicas profanas, da chamada indústria cultural. Qual é o limite que a senhora considera necessário para essa apropriação de símbolos sagrados no mundo profano?

Mãe Stella - Se for para o profano deixa de ser sagrado. Então, eu não sou contra que numa canção cite qualquer palavra, ou mesmo algum símbolo do candomblé, contanto que não vá mexer na profundidade do sagrado. Você vê que até com a igreja católica acontece isso... sambas de roda [cantarola] ‘oh minha nossa senhora (...)’ e não sei o que! Tá depreciando? Não tá. É a mesma coisa aqui com o candomblé. São palavras que eles tiram pra fazer rimas dentro de um sentido e também não acho que seja nada demais. Agora o que não deve ser é empregar do sagrado em festas profanas como escolas de samba, carnaval... vestidos de orixá – porque o orixá para nós é sagrado- em cima do trio elétrico, essas coisas é que nós não admitimos.

JM - O candomblé é muitas vezes abordado como um exotismo quase folclórico, o que, de certa forma atrai muita gente aos locais sagrados como se estivessem indo ao teatro. Como é que a senhora lida com a sociedade de consumo do candomblé?

Mãe Stella – Isso existe porque o mal informado às vezes quer bancar o sabido, não é (?), aí fala asneiras... mas a gente não pode perder muito tempo com essas coisas não, que aí é retrocesso. Se a gente tem certeza do que faz, tem uma coisa correta, deixe quem quiser falar e vamos ter consciência de que nós estamos no caminho certo. O demais é a ignorância. O ignorante acha que é sabido e passa por bobo (risos).

JM – Eu queria que a senhora falasse um pouco de sua mãe espiritual, que foi lendária Mãe Senhora de Oxum.

Mãe Stella – Senhora é insubstituível, por que não pode encarnar outra Senhora, não é? Mas a presença dela, os ensinamentos, para mim não existem iguais. Aprendi muita coisa com ela e pretendo conservar.

JM – Já é bem conhecida a sua posição, mas eu quero pedir que a senhora fale uma vez mais sobre a sua posição contrária ao sincretismo religioso nos dias de hoje.

Mãe Stella – Já está cansativo, mas é que se você acredita numa coisa, tem certeza do que faz, então para quê misturar com outra prática? Quem faz isso está misturando tudo e não está satisfazendo, nem agradando, nem valorizando ninguém. Fica como uma salada não é?

JM – E esse boom pentecostal, as igrejas evangélicas crescendo tanto em Salvador, temos um prefeito evangélico, chegamos a ter várias lideranças ligadas às igrejas evangélicas encabeçando as pesquisas na última eleição municipal. Isso incomoda de alguma forma, já que eles têm uma postura tão intransigente quanto às outras religiões?

Mãe Stella – Não rapaz, o sol nasce para todos. A política não exige que você para se candidatar a tal coisa tenha que seguir tal prática religiosa. Então a gente entrega ao divino que ele deixará vencer aquele que for o melhor para a humanidade. De repente o candomblé não é o melhor para a humanidade. De repente outra religião é o melhor. Então vamos pedir para que o melhor fique. Quando chega um candidato aqui e pedem para ser apresentados ao orixá, eu peço, na frente do candidato, que se for para o bem dele e da sociedade, que ele seja eleito. E se o orixá vir que ele é bom, ele vai ficar. Nós não temos preferência de religião, embora para nós a nossa seja a melhor, é claro, não tem outra. Mas não é que ela seja a verdadeira para a humanidade, nem seja boa para a humanidade. Já se ouviu tanta atrocidade em cima da religião católica, não é? A mesma coisa com outras religiões, o próprio candomblé, muita gente diz que a gente anda só pra maldade, tudo isso... e não é. Cada um faz a fantasia que quer em cima da coisa.

JM – Eu sei que a senhora gosta de ir ao cinema. Chegou a ver este filme novo, Besouro, sobre o capoeirista?

Mãe Stella – Não.

JM – Quais foram os últimos filmes que a senhora viu?

Mãe Stella – (risos) Agora com televisão ninguém vai mais ao cinema. Eu mesma não vou, porque é mais cômodo, ficar na televisão assistindo aos programinhas de tarde... Sou uma senhora de 84 anos, não dá muito tempo não. Prefiro ir, às vezes, num teatro, uma coisa assim mais diferente.

JM – Só para terminar eu vou falar os nomes de algumas pessoas e a senhora me diz o que elas te lembram. O primeiro: Pierre Verger.

Mãe Stella – Ah, foi um jornalista, um amigo do candomblé, que deixou muito trabalho pronto aí.

JM – Antonio Carlos Magalhães.

Mãe Stella – Uma figura política, baiana, inesquecível também.

JM – Dorival Caymmi.

Mãe Stella – Outro. Cantor inesquecível, filho da casa, nosso amigo, nosso irmão.

JM – Vivaldo da Costa Lima.

Mãe Stella – Ave Maria! Tá vivo aí e eu peço a Ogum todo dia que segure ele na terra, que ele é uma figura ímpar no candomblé e na sociedade, por que é um grande professor.

JM – Carybé.

Mãe Stella – Outra lembrança, assim de saudades mesmo, por que ele foi nosso irmão e nos ajudou bastante.

JM – E por fim Jorge Amado.

Mãe Stella – Outra figura interessante também, que era daqui do Axé também e ele botou, ao modo dele, de uma forma lúdica, as coisas da prática do candomblé nos livros, de uma forma interessante.

JM – Muito obrigado. E agora deixe uma mensagem para a Cidade do Salvador.

Mãe Stella – Que vocês continuem divulgando as coisas assim sempre de uma forma certa, corajosa, verdadeira... e que vá servir para tocar no coração dos homens, que eles sejam mais humanos, os filhos respeitem os pais, respeitem os mais velhos, respeitem a sociedade e a Deus. E a você também, que seja um bom jornalista.

sábado, 21 de novembro de 2009

Desenho Linear das Classes Elementares, de Manuel Querino

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Livro da autoria de Manuel Querino: "Artista Diplomado pela Escola de Belas Artes da Bahia e Professor Livre de Desenho Industrial no Colegio dos Órfãos de S. Joaquim, Escola Bahiana, etc."

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Presente aponta para celebração de união dos afrodescendentes

clique aqui para ler artigo original

Vanda Machado | Redação CORREIO

Em comemoração ao dia da Consciência Negra, o jornal CORREIO lançou o caderno especial 'BahiÁfrica - sonho presente' que traz artigos envolvendo literatura, esportes e humanidades sobre o continente africano e o reflexo no nosso dia-a-dia e na Bahia. Confira na íntegra o artigo da doutora em educação, Vanda Machado.

O PRESENTE

Dia 17 de novembro, terça feira amanheço no terreiro Afonjá e muitas memórias se juntam e se repetem como desde que me reconheço como gente de santo. Ainda não há sol e me junto a outras mulheres na casa de Xangô. Estamos nos preparando para o Presente. Carregamos talhas e um balaio com oferendas para Oxum e Iemanjá. As Mães ancestrais recebem o carinho e o reconhecimento de seus filhos.

De volta, Mãe Stella nos esperava e nos abençoa, um por um, seus filhos e filhas, agora compondo o seu navio guerreiro. É a última celebração pública do ano. Estamos juntos festejando a vida desde a última sexta feira do mês de setembro, quando celebramos as Águas de Oxalá.


Rainhas e reis foram sequestrados e vieram como mercadorias, trazendo na lembrança, cultos e rituais, que foram passados oralmente de pai para filho, a chamada “memória ancestral”

Esta é uma reminiscência de negras e negros quando recriaram celebrações, como forma de trazer de volta o passado, que renasce todo ano, com rezas, cantos e danças, mantendo e revivendo sempre, a memória num passado que se faz presente como novidade. Um passado que se conserva no espírito de cada negra ou negro e faz celebrar a vida, cantando e dançando com seus ancestrais. Memória que se apresenta quase como um sonho coletivo e que continua se refazendo pela repetição desde a chegada do povo africano no Brasil.

Para criar as riquezas que deram lugar à nação brasileira, nossos ancestrais negros foram seqüestrados e trazidos empilhados como peças humanas, ou corpos sem dor e sem alma. Homens e mulheres que deixaram tudo que lhe era afetivo e precioso no outro lado do Atlântico. Naquele momento, a questão seria: como recuperar a dignidade dessas criaturas no mais completo desterro e abandono.


Memórias se juntam e vivências apontam para a celebração de amor e união dos afrodescendentes

Negras e negros escravizados mergulhados em si mesmos, buscam na mais antiga memória valores culturais carregados do sentimento de agregação como espelho da família ancestral. Família que transcende aos laços biológicos, etnias e qualquer outra possibilidade de disjunção. Isso significa que nos primeiros momentos nos navios negreiros, pela necessidade de acolhimento mutuo negros e negras se tornaram malungos. Malungo na língua banto significa irmão ou companheiro de viagem. Mais tarde, esse mesmo sentimento fez com que esses malungos confiassem uns nos outros e fugissem em grupos formando os quilombos inventando a liberdade da gente.

A agregação propiciou o nascimento das irmandades católicas de Nossa Senhora do Rosário, Irmandade da Boa Morte, de São Benedito, Santa Helena e tantas outras, espalhadas por todo Brasil. Surgiram, também, as sociedades; a exemplo dos Pretos Desvalidos e, finalmente, as Casas de Santo ou comunidades terreiros.

Nos terreiros, pelo cuidado e acolhimento nasceram as famílias de santo, com sua força e seus mistérios. Devido aos segredos e mistérios, as religiões de matriz africana ou exercem uma força e um fascínio nas pessoas e na sociedade, ou provocam raiva e intolerância daqueles que ainda não aprenderam conviver com a sua própria história.

Acabaram-se as festas deste ano. Há pouco estávamos todos no mesmo barco. Tinha gente de todo jeito e de toda cor. Nós nos separamos, nos abençoando mutuamente. Fomos nos afastando guardando um sentimento inexplicável. De fato a herança africana de que falamos está imbricada com a história desse país, produzindo uma teia de vivências que se repetem cotidianamente nas singularidades e nas diferenças do jeito de ser do seu povo.

São as vivências comunitárias que recuperam da ancestralidade a consciência mítica plena de rituais, de expressões de significados sagrados e um repertório de simbologias reterritorializando e transformando a cultura numa religião que acolhe cada pessoa como ser único, pelo respeito à sua individualidade e a sua importância como filho da comunidade e membro importante da família de santo.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Emanuel Araújo abre exposição no Muncab 19.11.09

A mostra enfoca a cultura do Benin com peças e expressões artísticas ligadas às tradições e à contemporaneidade


Com uma numerosa equipe própria vinda de São Paulo e apoio de trabalhadores locais, o artista plástico Emanoel Araujo, atual curador do Museu Afro-Brasil (SP ) ex-diretor da Pinacoteca de São Paulo, iniciou em Salvador a montagem da megaexposição internacional Benin está vivo e ainda lá – ancestralidade e contemporaneidade, que será aberta ao público no dia 19 de novembro. A mostra é a primeira realização do Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), instituição federal que está sendo implantada no Centro Histórico de Salvador, com recursos do Ministério da Cultura.

Um diferencial da mostra é que ela será apresentada em meio ao canteiro de obras do Museu, que somente será inaugurado em 2010. “Queremos com isso mostrar que somos um museu em processo”, explica José Carlos Capinan, coordenador da Associação dos Amigos da Cultura Afro-Brasileira(Amafro), responsável pela processo de instalação do Muncab.

A exposição, considerada a mais importante evento da arte beniense no mundo, vai ocupar os dois pavimentos do prédio em estilo neo-clássico que abrigará o museu, localizado na Rua do Tesouro. São cerca de 300 trabalhos que traduzem a criatividade artística e os valores culturais do Benin, minúsculo país africano que guarda extrema ligação histórico-cultural com o Brasil e, em particular, com a Bahia, desde o período da escravidão. As peças (pinturas, esculturas, instalações, máscaras, etc) remetem às fortes tradições benienses, mas também contemplam a contemporaneidade do Benin, marcada por estilos audaciosos e vanguardistas de interpretação artística da realidade. “Esta exposição é uma verdadeira oferenda à Bahia, que resgata nossa ancestralidade, encontra nossas tradições”, observa Capinan.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Mês da Consciência Negra - Palestras

A Comunidade Angoleira da

ACANNE CONVIDA

para a escuta sobre Saber Ancestral no

Mês da Consciência Negra

PROGRAMAÇÃO

Dia: 11/11/09 (4ª. Feira). PALESTRA

18H “O intelectual senegalês Cheikh Anta Diop e sua teoria do Egito negro

africano”

Profª. Paola Vargas Arana, mestre em Estudos Africanos, El Colégio de México

19H30 Aula de Capoeira com Mestre Renê Bitencourt

Dia: 16/11/09 (2ª feira). FILME:

18H Exibição do filme Um Grito de Liberdade (Cry Freedom).

Direção:Richard Attenborough, Inglês, 1987.

19H30 Aula de Capoeira com Mestre Renê Bitencourt

Dia: 17/11/09 (3ª feira)

18H Profº. Benvindo Maloa – Universidade Pedagógica de Moçambique e Mestrando

em psicologia, UFBA, Histórias de Moçambique.

Dia: 18/11/09 (4ª feira) – PALESTRA

18H “Filosofia da Consciência Negra de Stephen Biko e o Movimento na África do Sul”

Profª. Christianne Vasconcellos, mestre em História Social, UFBA

19H30 Aula de Capoeira com Mestre Renê Bitencourt

Dia: 19/11/09 (5ª feira) – PALESTRA

18H Paulo Magalhães – Mestrando em Ciências Sociais UFBA

Histórias de Capoeiragem na Bahia

Dia: 20/11/09 ( 6ª feira)

RODA 19H Roda de Capoeira em homenagem ao mês da Consciência Negra.

Dia: 21/11/09 (sábado)

FEIJOADA Roda de Capoeira seguida de Samba de Roda, ao sabor da Feijoada ACANNE
Endereço ACANNE: Rua do Sodré, 48 Largo Dois de Julho.
Pontos de referência: Próximo ao Colégio Ipiranga, na rua do Museu de Arte Sacra.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

III Bahia Afro Film Festival

15 a 24 de Janeiro 2010 Cachoeira Bahia Brasil

Inscrições para mostra competitiva até 15 de Dezembro de 2009

Para mais informações, visite www.bahiaafrofilmfestival.com.br/

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Neguinho do Samba

Foto: Haroldo Abrantes, Ag. A Tarde

Carine Aprile, do A TARDE e A TARDE On Line

Morreu no início da tarde deste sábado, 31, por volta das 14 horas, o baiano criador do samba-reggae, Antonio Luís Alves de Souza, mais conhecido como Neguinho do Samba, 54 anos, em decorrência de uma parada cardíaca. O músico deixou sete filhos e uma legião de admiradores e alunos.

O corpo do artista, que foi um dos fundadores do Olodum e criador da Escola Didá, está sendo velado na sede da Associação Educativa e Cultural Didá. O enterro será na terça, 3, já que parentes aguardam a chegada de um dos sete filhos de Neguinho, que mora na Itália. A cerimônia está marcada para às 14 horas, no Cemitério Jardim da Saudade.

Segundo informações da família, Neguinho já vinha reclamando da saúde nos últimos 15 dias. Nesta madrugada, por volta das 3 horas, o músico sentiu um mal estar e foi de táxi ao posto médico de Pernambués. No local, ele foi medicado e retornou à sua residência, no Pelourinho, voltando a se sentir mal no início desta tarde, quando veio a falecer.

Neguinho do Samba era cardiopata e há três meses perdeu uma irmã. Pessoas próximas afirmaram que, em virtude disto, andava triste. Mas ele morreu onde queria: em sua residência, um casarão no Pelourinho, onde também funciona a Escola Didá.

"Ele deixou um legado, uma marca de como se faz samba na Bahia. Eu acompanhei o processo de desenvolvimento do Olodum e ele já experimentava as novas fusões do reggae com o samba. Depois, acompanhei o trabalho cultural que ele fez com a Banda Didá. E por ironia do destino faleceu dentro da própria escola", declarou Gerônimo.

Perda irreparável - A Secretaria da Cultura suspendeu toda a programação cultural do Pelourinho, nestes sábado e domingo. Uma faixa preta permanecerá hasteada no Largo do Terreiro de Jesus, durante três dias, simbolizando o luto.

"A dor é enorme. Foi uma perda irreparável. Não perdemos somente um músico excepcional, mas uma personalidade. Ele foi muito generoso com todos à sua volta. Não dá para acreditar. É um astro que vai continuar vivo aqui com a gente“, declarou, emocionado, João Jorge, presidente do Olodum.

Neguinho do Samba - Fundador da escola de percussão do Olodum e do bloco Didá, ele também foi o inventor do ritmo "samba-reggae", modificando tambores para conseguir afinações e sonoridades diferentes, criando um ritmo musical único, com a cara da Bahia.

Filho de um tocador de "bongô" e de uma lavadeira, Neguinho desde cedo treinava percussão tocando nas bacias de alumínio de sua mãe. Foi eletricista, ferreiro e camelô. Sua música chegou a ser internacionalmente reconhecida. Maestro do Olodum, tocou com David Byrne, Paul Simon e Michael Jackson. Com Simon, o Olodum gravou o CD The Rhythm of the Saints, em 1990. Feliz com o resultado do trabalho, Simon procurou o músico e lhe ofereceu um carro importado como forma de agradecimento. Neguinho agradeceu a oferta, mas preferiu mudar o presente, e, em vez de um carro, escolheu uma casa no Pelourinho, no mesmo valor, onde fundou sua escola.

Neguinho do Samba aparece no clipe de Michael Jackson They Don't Care About Us, vestido nas cores do pan-africanismo (verde, amarelo e vermelho) regendo os percussionistas do Olodum. Assista:



Didá -
O projeto nasceu pelas mãos de Neguinho, que via a necessidade de oferecer para as mulheres, principalmente as negras, um espaço para expor suas idéias e desenvolver atividades. Didá é uma associação cultural e sem fins lucrativos fundada em 1993 e que atua promovendo gratuitamente atividades educativas com base na arte e nas manifestações populares criadas e mantidas pelos africanos e por seus descendentes.

Atualmente, a instituição oferece 11 cursos - percussão, dança afro, teatro, capoeira, artesanato, canto, bateria, violão, cavaquinho, teclado e sopro, e chega a atender entre 600 a 800 crianças e adolescentes por ano.

Além dos cursos, o projeto se estende ao bloco afro carnavalesco, loja de artigos Didá e o projeto Sòdomo, centro de aprimoramento feminino Didá Banda Feminina.

| Veja também |

Vídeo do grupo Olodum e Neguinho do Samba em homenagem a Michael Jackson, após a morte do astro:



sábado, 24 de outubro de 2009

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Agenda Pelourinho Cultural

Semana 19/10 a 25/10

19, segunda – Cortejo Afro
Com elegância, alto-astral e roupas exuberantes, o grupo mistura influências africanas a batidas eletrônicas.

:: 20h, Gratuito, Largo Tereza Batista
20, terça - Ana Paula Albuquerque
Depois de realizar apresentações de jazz em São Paulo, a cantora retorna a capital baiana para apresentar o novo show “Assim com ela”. No repertório canções inéditas dos parceiros Ivan Huol, Gil Vicente Tavares, Ivan Bastos e Sandra Loureiro.

:: 21h, Gratuito, Largo Tereza Batista

20, terça – Samba Chita Fina
Ana Paula Albuquerque


Formado por sete mulheres baianas, o grupo apresenta no show a diversidade musical que varia desde o samba do recôncavo baiano, samba-rock e MPB.
:: 21h, Gratuito, Largo Quincas Berro D’Água

21, quarta – Banda On The Floor
Revelado no ano passado em Salvador e fortemente influenciado pela música eletrônica, o grupo traz no seu repertório, além de muita house music, hits radiofônicos e músicas que fazem parte do imaginário popular em levadas como o drum´n bass, hip hop e o reggaeton.

:: 21h, Gratuito, Largo Tereza Batista


21, quarta – O Mundo Encantado da Leitura


O espetáculo voltado para o público infantil, conta a história de Dudu, um garoto solitário que descobre o fascinante mundo dos livros. Com esta montagem o Grupo Cultural de Integração Social (GIS) estimula o hábito da leitura em crianças e adolescentes.


:: 9h30 às 11h30 e 13h30 às 16h30, Gratuito, Largo Pedro Archanjo

22, quinta - Afrodisíaco

Jau dá continuidade à temporada de ensaios que agitaram o Pelourinho durante o mês de julho. No repertório grandes sucessos da MPB como Drão e Alegria, Alegria, além de canções do compositor que já ganharam o público como Topo do Mundo e Flores da Favela.
:: 21h, R$ 30, Largo Tereza Batista
Pontos de venda: Ticketmix e Pida!

22, quinta – Pelô Pé de Serra: Neto Lobo e a Cacimba
Apresenta shows de forró com bandas que agitam o cenário baiano, buscando um resgate de ritmos de raízes nordestinas, como o forró pé de serra, xote e baião.

:: 20h, Gratuito, Largo Quincas Berro D’Água

22, quinta – Orquestra Maestro Zeca Freitas

O compositor, arranjador e músico Zeca Freitas apresenta o seu projeto de orquestra popular que já ganhou destaque na capital e no interior da Bahia.

:: 21h, Gratuito, Largo Pedro Archanjo


24, sábado – Feira de Antiguidades

O evento exibe louças, cristais, santos, objetos de artes decorativas e móveis. Composto por antiquários, tem como propósito apresentar os variados produtos encontrados na Rua Ruy Barbosa - no Centro Antigo.

:: 10h, Gratuito, Cruzeiro

24 e 25, sábado e domingo – Bigbands Festival
Realizado pela segunda vez em Salvador, com a proposta de fomentar a cena cultural independente na Bahia. Nesta edição, participam bandas e artistas locais e nacionais.

Programação:
* dia 24
Demoiselle
Pastel de Miolo
Tom Bloch
Messias
Frank Jorge
Nancy
* dia 25
Morticia
Yunfat
Julia Says
Os Irmãos da Bailarina
Black Drawing Chalks
Estrada Perdida

:: 20h, Entrada: Doação de um livro para o Criar, Largo Tereza Batista

MAIS INFORMAÇÕES:


Texto&Cia Comunicação e Marketing
(71) 3341-2440
Caíque Gonçalves (71) 8631-1806 – caique@textoecia.com.br
Lara Prado (71) 8225-7462 – lara@textoecia.com.br
Andréa Castro (71) 8197-3312 – andreacastro@textoecia.com.br

Daniela Lustosa
Assessora de Comunicação
PELOURINHO CULTURAL - IPAC
Secretaria de Cultura da Bahia - Secult
Contato: (71) 3117-1509/ (71) 9157-9717
E-mail: danielalustosa.ascom@gmail.com

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

ANJO NEGRO

Como projeto de conclusão do Curso Livre de Teatro do SESC, a peça de Nelson Rodrigues é encenada pelos alunos.

CINE TEATRO SESC CASA DO COMÉRCIO

Salvador - BA

De 16 a 18/10, às 20h.
Entrada franca.

Lançamento de livro

Juca Rosa: um pai de santo na Corte imperial


Gabriela dos Reis Sampaio



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Sexta-feira , 16 de Outubro de 2009, às 18:00 hs


CEAO - Centro de Estudos Afro-Orientais


Pç. Inocêncio Galvão, 42, Largo Dois de Julho,


Salvador

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O INSTITUTO GEOGRÁFICO E HISTÓRICO DA BAHIA INFORMA A AGENDA CULTURAL DO MÊS DE OUTUBRO/2009

22 de outubro, às 17h30

Palestra do engenheiro civil e sócio do IGHB, Manoel Bomfim Ribeiro sobre “As riquezas do Semi-Árido Brasileiro”.

26 de outubro, às 18h

Mesa Redonda, seguida do lançamento do livro Jorge Calmon: o jornalista (organizado pelo professor Edivaldo Machado Boaventura), com prefácio da professora Consuelo Pondé de Sena

Temas da Mesa Redonda:

  • Jorge Calmon e a Casa da Bahia (profa. Consuelo Pondé de Sena, presidente do IGHB)
  • Jorge Calmon e a Academia de Letras da Bahia (prof. Edivaldo Machado Boaventura)
  • Jorge Calmon e a Associação Baiana de Imprensa (jornalista Samuel Celestino)
  • O jornalista Jorge Calmon (jornalista Sérgio Mattos)
  • O amigo Jorge Calmon (doutor Afonso Maciel Neto)

27 de outubro, às 17h

Conferência do historiador/pesquisador José Dionísio Nóbrega sob o tema: Euclides da Cunha e os Sertões de Canudos. O grupo musical Chorões do Cumbe fará a abertura e o encerramento do evento.

Já está exposta, no Museu do IGHB, a primeira edição de “Os Sertões” pertencente ao acervo pessoal do historiador.

TODOS OS EVENTOS TEM ENTRADA GRATUITA

PEDIMOS A GENTILEZA DE CONFIRMAR A PRESENÇA ATRAVÉS DE E-MAIL COM O TEMA DA PALESTRA

MAIS INFORMAÇÕES NO TEL. 71 3329 4463/6336

WWW.IGHB.ORG.BR

SEDE DO IGHB: AVENIDA 7 DE SETEMBRO, 94 A - CENTRO

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Perseguição e intolerância combatidas por Querino continuam no século XXI

Pastor evangélico tumultua Festival de Ifá e é detido em SP
Por: Redação - Fonte: Afropress: Foto - Assembléia Legislativa de S. Paulo - 19/9/2009

S. Paulo - O Festival Mundial de Ifá, que se realiza na Assembléia Legislativa de S. Paulo, com a presença do líder Mundial dos Bàbálawos, Àràbà Àgbáyé Awóyemi Àdìsà Awóreni, Òkè-Tasè Ilé Ifè, e de outras personalidades religiosas da Nigéria, foi interrompido na manhã desta sexta-feira (18/09), pelo pastor evangélico Orlando Leotério Torres, 57 anos, em mais um caso de intolerância às religiões de matriz africana.

Em julho passado, o pastor Tupirani da Hora Lores, 43 anos, e o estudante Afonso Henrique Alves Lobato, 26, ambos do Rio, se tornaram os primeiros presos no país pelo crime de intolerância religiosa. A dupla foi acusada de postar vídeos e textos na Internet incentivando a violência contra seguidores das religiões afro como a Umbanda e o Candomblé.

Fanatismo e intolerância

O ataque ao Festival Mundial de Ifá – oráculo que se desenvolveu na África Ocidental, especialmente nas regiões onde hoje estão localizados a Nigéria e o Benin e que foi trazido para o Brasil durante o período do escravismo – acabou na detenção do pastor, liberado depois do registro da ocorrência no 36º DP de Vila Mariana.

Por volta das 11h, Torrres chegou ao plenário Franco Montoro, onde se realiza o Festival, e aproveitando o momento em que a palavra foi aberta, passou a cantar e o hino "Glória, Glória Aleluia", tradicional entre os evangélicos de várias denominações. Exaltado, pregou em volta alta. “Todos vocês estão perdidos. Jesus é a única salvação. Ainda há tempo de serem salvos. Jesus está voltando e pode perdoar os seus pecados”, gritava, diante de uma platéia perplexa.

Em seguida dirigiu-se a mesa dos trabalhos e tentou entregar três exemplares da Bíblia aos religiosos. Diante do apelo das pessoas presentes por respeito, foi retirado do plenário com a intervenção do ativista João Bosco Coelho, que participava dos debates.

O caso terminou no 36º DP de Vila Mariana, onde foi registrado um Termo Circunstanciado por ultraje a culto e impedimento ou perturbação de ato a ele relativo, crime previsto no art. 208 do Código Penal Brasileiro. Na Polícia, o pastor admitiu ter provocado constrangimentos, porém, disse não estar arrependido.

Transtornado

Segundo a advogada Ana Valéria Gunzburger, coordenadora de comunicação do Festival, o homem parecia transtornado. Gunzburger, mais Marli José da Silva Barbosa e Coelho, estiveram na Delegacia como testemunhas. O caso do pastor deverá ser encaminhado ao Juizado Especial Criminal, com base na Lei 9099/95, por se tratar de crime com pena máxima inferior a 2 anos.

O artigo 208 do Código Penal pune com pena de um mês a um ano quem “escarnecer de alguém de alguém pulbicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso”.

Festival

O Festival Mundial de Ifá foi aberto na quinta-feira (16/09) e termina neste sábado (19/09), com palestras, debates e apresentações artísticas.

O Ifá é um oráculo que desenvolveu-se na África Ocidental, especialmente nas regiões onde hoje estão localizados a Nigéria e o Benin. O culto a Ifá, porta-voz e intérprete dos orixás, chegou a Cuba e ao Brasil no século XIX, com os escravos nagô.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Negro é uma construção social, afirma especialista do IBGE

JORNAL A TARDE 27/09/2009 às 18:52

Brasília - Desde o século 19, o Brasil procura fazer um levantamento, por meio do censo, da cor da população. Na semana passada, pela primeira vez na história, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou que mais da metade dos brasileiros é formada por pessoas com a cor de pele parda ou preta (50,6%).

O dado é da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e se baseia na autodeclaração ou “autoclassificação” como prefere dizer Ana Lúcia Sabóia, chefe da Divisão de Indicadores Sociais do instituto.

O critério de autoclassificação é recomendado internacionalmente e apontado como alternativa menos subjetiva para definir a cor de uma pessoa.

Na entrevista abaixo, feita antes da divulgação da nova Pnad, a técnica do IBGE explica como é o procedimento de pesquisa:

Agência Brasil: Como funciona a coleta de informação sobre cor e raça?

Ana Lúcia Sabóia: Essa informação é coletada com os moradores do domicílio. É feita a pergunta 'qual é a sua cor?' A pessoa responde branca, preta, parda, amarela (para quem tem origem asiática) e indígena.

ABr: O quadrinho de preto e pardo não é o mesmo?

Ana Lúcia: Não, são separados. O sistema de classificação de categorias do IBGE está dividido nessas cinco opções. Nós chamamos esse sistema de autoclassificação. A pessoa entrevistada é que diz a sua cor. Se ela responde uma cor diferente destas cinco categorias, é pedido que se inclua em uma das categorias. É muito simples e claro, é a pessoa que se define, não é o entrevistador. Essa é a instrução para todas as pesquisas domiciliares do IBGE. Todas elas coletam a variável cor: a Pesquisa Mensal de Emprego [PME], a Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar [Pnad], a Pesquisa de Orçamentos Familiares [POF] e o Censo Demográfico.

ABr: Desde quando se pesquisa a cor da população brasileira?

Ana Lúcia: O Brasil conta com uma série histórica muito longa de coleta sobre a cor das pessoas. Desde o primeiro censo, no início do século 19, nós temos informações. Salvo o censo de 1970, que não conteve esse item. No censo de 2010 essa pergunta estará no mesmo nível de idade e sexo, e a cor será perguntada para toda a população.

ABr: E quando quem responde o questionário é apenas uma pessoa do domicílio, ela informa a cor de toda a família?

Ana Lúcia: A instrução dada aos recenseadores e aos agentes das coletas usuais é que se colete a informação diretamente com cada um dos moradores. Nós sabemos, no entanto, que isso não é possível na maioria dos casos. É raro entrar em um domicílio quando estejam todos os moradores. Existe a possibilidade que a pessoa entrevistada acabe não respondendo exatamente como cada membro do domicílio gostaria de ser identificado.

ABr: Isso pode comprometer os resultados?

Ana Lúcia: O sistema que nós temos utilizado tem sido muito consistente ao longo desses anos. Obviamente estamos sempre fazendo reavaliações, pelos nossos estudos internos, existe bastante consistência e coerência mesmo quando existe declaração de cor para diferentes membros no domicílio.

ABr: O procedimento de autodeclaração é recomendado internacionalmente?

Ana Lúcia: Sim, é uma questão de autopercepção e sempre relacional. Você se considera de uma cor olhando para as pessoas. A recomendação da ONU [Organização das Nações Unidas] é de que as pessoas devem se autoclassificar. Existe em cada sociedade valorações diferentes de cor. Países como a Inglaterra, Estados Unidos e Canadá fazem como o Brasil. Nos Estados Unidos ainda perguntam qual a origem e daí é possível ter a classificação 'branco com origem anglo-saxão' ou 'branco com origem mexicana', por exemplo.

ABr: Costumamos ouvir que o Brasil é o segundo país do mundo com mais negros. É precisa essa informação?

Ana Lúcia: Não há como dizer qual que é a classificação correta. A categoria parda é bastante abrangente no Brasil. No Mato Grosso do Sul, por exemplo, a pessoa que se diz parda não tem origem afrodescendente, mas dos colonizadores que passaram lá junto com os indígenas. O mesmo pode acontecer com uma pessoa que tem origem asiática e branca. Como a pele não é exatamente branca ou amarela, ela pode se classificar como parda. Essa categoria é uma categoria muito ampla, muito abrangente, na qual as pessoas se classificam tendo origem diferente.

ABr:
Ao dizer negro estamos juntando as categorias preto e pardo?

Ana Lúcia: Os indicadores relativos a essas populações são semelhantes e muito diferentes dos brancos. Se você quiser ser preciso você não deve chamar de negro porque não existe uma classificação. Nós chamamos de preto ou pardo. Cor você não chama de negro, você não diz estou com uma blusa negra, diz estou com uma blusa preta. Negro é uma construção social, é uma identificação que não é exatamente a cor da pele. O nosso sistema é um pouco híbrido tem a cor da pele, mas tem a origem quando estabelece indígena e amarelo.

ABr:
É justo fazer políticas afirmativas com base em critérios raciais?

Ana Lúcia: As políticas de afirmação conseguiram, em alguns países onde havia discriminação, quebrar um ciclo que estava cristalizado. Eu sou favorável às políticas de afirmação. As dúvidas são pequenas perto da série histórica que a gente tem, da consistência intra-geográfica e intergeográfica. Então, sabidamente, no Sudeste e no Sul há mais pessoas que se declaram de cor branca, diferentemente das pessoas no Norte e Nordeste. Eu sou muito favorável às políticas de cota para os que estão aquém no desenvolvimento social.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Calendário de Festa Públicas - Ilê Axé Opo Afonjá (Set a Nov 2009)

27/09 - Primeiro Domingo de Oxalá
04/10 - Segundo Domingo de Oxalá
11/10 - Terceiro Domingo de Oxalá
12/10 - Exú
14/10 - Xangô
18/10 - Ayabá
19/10 - Ogun
21/10 - Oyá
25/10 - Oxum
26/10 - Olubajé
08/11 - Yemanjá
09/11 - 14 dias de Omolu
12/11 - Oxossi
15/11 - Ipeté de Oxum
16/11 - Iroko e Apaoká

Ilê Axé Opo Afonjá
Rua Direta de S. Gonçalo s/n
Cabula - Salvador-BA

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Ilé Ase Opo Aganju - Festas de Out a Dez 2009

Outubro
29 quinta - Bori de Oxalá
30 sexta - Águas de Oxalá

Novembro
01 domingo - Oxalufã
08 domingo - Procissão de Oxalufã
15 domingo - Pilão de Oxaguiã
16 segunda - Exu
18 quarta - Gamela de Xangô
22 domingo - Àwon Àyaba
24 terça - Ogum
29 domingo - Iyá Kékéré
30 segunda - Olubajé

Dezembro
02 quarta - Oyá
06 domingo - Yemanjá
10 quinta - Oxossi
13 domingo - Ipeté
14 segunda - Irokô e Apaoká
16 quarta - Presente das Águas

Ilé Asé Opo Aganju
R. Saketê, 36 - Vila Praiana
Lauro de Freitas - BA
Tel +55 71 3378 2972

domingo, 20 de setembro de 2009

Mãe Hilda Jitolu a Candace do Ilê Aiyê



Euá colonaê didewá nagô, Agô agolonã, Eki maior didewá nijeô

Hoje a manhã do Curuzu no bairro da liberdade começa com o sol diferente sem o brilho de todos os dias é que a candace do Ilê Axé Jitolu partiu para o orum.

As candaces são rainhas mães, mulheres de sangue real, corajosas, guerreiras que ocuparam posições proeminentes, status importantes, funções políticas, sociais e culturais assumindo a totalidade do poder durante três gerações sucessivas no Reino Império de Cush e aqui no Brasil especificamente na Bahia, Curuzu, Senzala do barro preto uma importante candace aos 86 anos, deixou mais de cem filhos e filhas-de-santo e um legado de sabedoria não só para sua família biológica e religiosa como para o mundo.

Ontem dia 19.09 faleceu a matriarca do Bloco Afro Cultural Ilê Aiyê Hilda Dias dos Santos, mãe preta, dona Hilda, mãe Hilda Jitolu assim muitas pessoas conheciam esta yalorixá que nasceu no bairro de Brotas, em Salvador. Casou-se com Waldemar Benvindo dos Santos e teve cinco filhos, entre eles, Antônio Carlos dos Santos, ( Vovô Presidente do Ilê) Dete Lima e Vivaldo diretores da instituição.

Aos vinte anos de idade mãe Hilda foi convocada pelos orixás a trilhar o seu odu religioso e, nove anos depois, fundou o terreiro Ilê Axé Jitolu o qual comandou a mais de 50 anos.

Uma mulher decidida nos momentos importantes, acolhedora,observadora ,incentivadora dos projetos culturais e guardiã dos conhecimentos ancestrais, assim podemos definir yá Jitolu.

Outra contribuição importante desta sacerdotisa foi a fundação da Escola Mãe Hilda Jitolu em 1988 um espaço educacional que preserva os saberes da cultura africana para além do sagrado e eleva a auto- estima não só das crianças como das famílias na comunidade.

Esta candace teve um papel fundamental na reconfiguração identitária do povo do curuzu e da comunidade negra ,pois em 1974 quando o bloco Afro Cultural Ilê Aiyê saiu da senzala do barro preto na Liberdade e desfilou no carnaval de Salvador com uma conotação positiva dos afro descentes, reafirmando o seu grupo de pertencimento e visão de mundo.Mãe Hilda com o seu axé e sob a sabedoria de Obaluê abriu caminhos para o mais belos dos belos de casa de taipa tornasse concreto e fosse reconhecido mundialmente o que hoje chamamos de Centro Cultural Senzala Do Barro Preto .

Como na canção a força do ilê , força essa que não seria apenas do Ilê Aiyê mas também da yalorixá que com os seus saberes e orientação espiritual transformou-se em uma referência para o povo de axé no estado da Bahia.

A atuação desta líder religiosa na comunidade é uma reafirmação da importância do papel das mulheres negras como principais baluartes na luta pela discriminação racial e cidadania do povo negro.

Sendo assim a nossa candace parte para o mundo invisível deixando além de muitas saudades os frutos para as próximas gerações mojúbà ,Olorum modupé,kalofé, motumbá, mucuiu yá Hilda Jitolu.

Ana Paula Fanon é Repórter, Produtora Cultural e ex-dançarina do Ilê Aiyê

Eu, Mulher Negra, Resisto-Alzira Rufino

Juventude Coletivo de Entidades Negras

Negras Jovens Feministas

wwwliteraturasubversiva.blogspot.com

paulapfanon@hotmail.com

71 8793 0000

71 9281 1382