Este blog é uma homenagem à vida, a obra e as causas do artista, abolicionista, jornalista, líder operário, político, educador, professor de desenho industrial e pesquisador, fundador da historiografia da arte baiana, defensor dos terreiros de Candomblé, inspiração de Pedro Archanjo (protagonista de Tenda dos Milagres) e o primeiro intelectual afro-brasileiro a destacar a contribuição do africano à civilização brasileira. Fornece um crescente acervo de textos de e relacionados a Querino
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Quem "possui" Manuel Querino?
Manuel Querino nasceu livre, em tempos de escravidão, portanto certamente se ofenderia com a noção de ser considerado um "bem" do qual qualquer um pudesse "tomar posse".
O historiador norte-americano E. Bradford Burns "descobriu" Querino para o mundo anglofone nos anos 70, mas nem por isso considerou que tivesse "tomado posse".
Antes, muito antes, Artur Ramos, Pedro Calmon e Jorge Calmon, seguidos por Jorge Amado, "descobriram" e "redescobriram" Querino, mas nem por isso consideraram-se seus "donos".
Portanto, creio eu, todos os Querinófilos e Querinólogos deveriam festejar tudo e qualquer esforço que se faça para destacar e perpetuar o nome, a vida e o trabalho de Manuel Raimundo Querino. Todos deveriam juntar-se e unir forças para apoiar, por exemplo, o seminário que Jaime Nascimento tanto luta para realizar.
A união faz a força. As desavenças e rixas egoístas e possessivas conduzem à derrota. Os portugueses dividiam os africanos para conquistá-los. Será que cairemos agora na mesma armadilha, justo na academia que deveria avançar o conhecimento e evoluir, em vez de insistir na possessividade e querer tudo para si?
Quem "possui" Manuel Querino? A resposta mais acertada é "todos", principalmente, a História.
domingo, 29 de junho de 2008

Vem jogar mais eu, camará é uma exposição que conta a história da
capoeira baiana entre 1940 e 1980. Estará aberta a visitação de 3 de
julho a 3 de agosto no espaço da Caixa Cultural. A entrada é gratuita.
Busca atrair um público bastante diversificado, capoeiristas, mestres
de capoeira professores, estudantes, e amantes da arte da vadiação.
Escolas com agendamento prévio terão visitas monitoradas. A mostra é
fruto de uma pesquisa realizada pelo Instituto Jair Moura, o mais
completo acervo sobre capoeira do mundo.
sexta-feira, 27 de junho de 2008
"Ficção científica"
Entre estes livros polêmicos de Monteiro Lobato está um intitulado “O Presidente Negro”. Originalmente publicado em 1926, como folhetim, no jornal A Manhã, (onde recebeu o título de “O Choque das Raças”, hoje seu subtítulo), “O Presidente Negro” é uma obra duplamente curiosa: primeiramente por se tratar de uma ficção científica, gênero pouco cultivado entre os escritores brasileiros; e em segundo lugar porque em sua trama retrata o debate científico e intelectual vigente nas primeiras décadas do século XX.
Basicamente a história gira em torno de três personagens: Ayrton, o medíocre funcionário de um escritório; Benson, o sábio que cria o Porviroscópio, uma máquina capaz de mostrar os acontecimentos futuros; e Miss Jane, a bela e inteligente filha de Benson.
Depois de sofrer um acidente, Ayrton passa a conviver com o professor Benson e sua filha, pela qual se apaixona. O sábio mostra a Ayrton sua invenção: uma máquina capaz de mostrar o estado da humanidade em tempos futuros. Ao falar do futuro, Monteiro Lobato dá vazão a toda a sua criatividade e, por que não dizer, preconceito. Imagina um futuro onde os jornais não serão mais lidos no seu formato tradicional, em papel, mas em monitores luminosos existentes em cada casa (sim, a Internet está aí!); onde a roda virará peça de museu e onde a eugenia estará presente no cotidiano das sociedades, moldando pessoas saudáveis e ordeiras. Ao falar da sociedade estadunidense, Lobato, através da personagem Miss Jane, falará de uma eleição para a presidência dos Estados Unidos em que os candidatos serão um conservador branco, uma mulher com ideais feministas e um negro (isto lembra alguma coisa?). Em “O Presidente Negro” esta eleição acontece no ano de 2228, em nosso mundo real as atuais prévias eleitorais nos Estados Unidos têm como candidatos um conservador branco (John McCain), um negro (Barack Obama), e uma mulher (Hillary Clinton); cenário bastante próximo àquele pintado por Lobato no romance que publicou em 1926.
Por todo este curioso exercício de futurologia, e por apresentar-se como revelador do pensamento intelectual, político e científico da época em que foi escrito, vale a pena ler “O Presidente Negro”.
* Viegas Fernandes da Costa: Historiador e escritor, autor de “Sob a Luz do Farol” (2005) e “De Espantalhos e Pedras Também se Faz um Poema” (2008). Texto originalmente publicado no Sarau Eletrônico.
http://viegasdacosta.blogspot.com/2008/06/o-presidente-negro-de-monteiro-lobato.html
120 ANOS DE LUTA POR IGUALDADE RACIAL
quinta-feira, 26 de junho de 2008
Capoeira deve se tornar patrimônio cultural brasileiro
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