domingo, 6 de maio de 2007

Ação Afirmativa - a polêmica continua

Curioso como as elites ainda têm tanto interesse em manter a população afro-descendente fora das universidades brasileiras...parece que ainda estamos no século XIX, quando Manuel Querino "não foi diplomado (em arquitetura pela EBA) em virtude de não ter sido lecionada uma das cadeiras do 3o ano" (Antônio Viana).


Jornal A Tarde 06/05/2007 - 11:13
Intelectuais lançam livro contra política de cotas
Agencia Estado

A poucos dias da celebração do Dia da Abolição da Escravatura, os projetos de lei que criam cotas raciais nas universidades federais e o Estatuto da Igualdade Racial voltam a ser atacados por intelectuais, desta vez em forma de livro. "Divisões Perigosas: Políticas Raciais no Brasil Contemporâneo", recém-lançado pela Editora Record, reúne artigos, assinados por historiadores, antropólogos, geneticistas, educadores - todos abertamente contrários aos dois projetos que tramitam no Congresso.

A tônica principal dos artigos é que os projetos propostos instauram legalmente o racismo no Brasil, a pretexto de combatê-lo. Os organizadores da coletânea são a socióloga Bila Sorj, a antropóloga Yvonne Maggie - ambas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) - e o militante José Carlos Miranda, do Movimento Negro Socialista. Em junho passado, eles viajaram a Brasília para entregar aos presidentes do Senado e da Câmara uma carta pública, com críticas à Lei de Cotas e ao Estatuto.

Yvonne explica que o livro reúne autores de posições políticas e ideológicas diferentes, de áreas de pesquisa diversas, mas todos com uma posição comum: a crítica à racialização que estaria em curso no País. "É uma tomada de posição frente a políticas públicas contemporâneas que podem comprometer o projeto jurídico e a idéia de nação que estamos construindo há quase 150 anos", diz a antropóloga.

Entre os 34 autores do livro estão o geneticista Sérgio Pena, o economista Carlos Lessa, a antropóloga Eunice Durham, o poeta Ferreira Gullar, o historiador José Murilo de Carvalho, o sociólogo Simon Schwartzman e o jornalista Luiz Nassif. O prefácio é do cientista político Bolívar Lamounier. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
clique aqui Para acessar uma réplica contundente às idéias apresentadas neste e outros livros e artigos (principalmente, o livro Não somos racistas, de Ali Kamel) - uma resenha da autoria de Paula Miranda-Ribeiro, titulada "Somos Racistas".

2 comentários:

cacau_tom disse...

olá Sabrina na averdade nao tenho nenhum comentario... Bom é que eu faço mestrado em História na Unesp e pesquiso justamente a figura de Manuel Querino em sua luta contra o pensamento racista e braqueador dominante na sua epoca. Gostaria saber se vc pode me dar algumas informações sobre Querino, na verdade sobre onde posso encontrar mais documentações ai em Salvador sobre esse intelectual. Abraço, CArlos. email: carltonrei@yahoo.com.br

H. Sabrina Gledhill disse...

Além das referências que forneço no blog, pode consultar os livros dele, disponíveis na Biblioteca Pública e no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e duas novas edições lançadas pelo Teatro XVIII (Raça Africana e o livro de cuinária). Também deve ter alguma documentação sobre ele na Sociedade Protetora dos Desvalidos. Jaime Sodré publicou um livro titulado Manuel Querino - um herói da raça e classe, e Maria das Graças Andrade Leal escreveu uma tese (ainda inédita) sobre ele - ela trabalha no Liceu de Artes e Ofícios da Bahia.
Espero que ajude.