Este blog é uma homenagem à vida, a obra e as causas do artista, abolicionista, jornalista, líder operário, político, educador, professor de desenho industrial e pesquisador, fundador da historiografia da arte baiana, defensor dos terreiros de Candomblé, inspiração de Pedro Archanjo (protagonista de Tenda dos Milagres) e o primeiro intelectual afro-brasileiro a destacar a contribuição do africano à civilização brasileira. Fornece um crescente acervo de textos de e relacionados a Querino
A mostra enfoca a cultura do Benin com peças e expressões artísticas ligadas às tradições e à contemporaneidade
Com uma numerosa equipe própria vinda de São Paulo e apoio de trabalhadores locais, o artista plástico Emanoel Araujo, atual curador do Museu Afro-Brasil (SP ) ex-diretor da Pinacoteca de São Paulo, iniciou em Salvador a montagem da megaexposição internacional Benin está vivo e ainda lá – ancestralidade e contemporaneidade, que será aberta ao público no dia 19 de novembro. A mostra é a primeira realização do Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), instituição federal que está sendo implantada no Centro Histórico de Salvador, com recursos do Ministério da Cultura.
Um diferencial da mostra é que ela será apresentada em meio ao canteiro de obras do Museu, que somente será inaugurado em 2010. “Queremos com isso mostrar que somos um museu em processo”, explica José Carlos Capinan, coordenador da Associação dos Amigos da Cultura Afro-Brasileira(Amafro), responsável pela processo de instalação do Muncab.
A exposição, considerada a mais importante evento da arte beniense no mundo, vai ocupar os dois pavimentos do prédio em estilo neo-clássico que abrigará o museu, localizado na Rua do Tesouro. São cerca de 300 trabalhos que traduzem a criatividade artística e os valores culturais do Benin, minúsculo país africano que guarda extrema ligação histórico-cultural com o Brasil e, em particular, com a Bahia, desde o período da escravidão. As peças (pinturas, esculturas, instalações, máscaras, etc) remetem às fortes tradições benienses, mas também contemplam a contemporaneidade do Benin, marcada por estilos audaciosos e vanguardistas de interpretação artística da realidade. “Esta exposição é uma verdadeira oferenda à Bahia, que resgata nossa ancestralidade, encontra nossas tradições”, observa Capinan.
Morreu no início da tarde deste sábado, 31, por volta das 14 horas, o baiano criador do samba-reggae, Antonio Luís Alves de Souza, mais conhecido como Neguinho do Samba, 54 anos, em decorrência de uma parada cardíaca. O músico deixou sete filhos e uma legião de admiradores e alunos.
O corpo do artista, que foi um dos fundadores do Olodum e criador da Escola Didá, está sendo velado na sede da Associação Educativa e Cultural Didá. O enterro será na terça, 3, já que parentes aguardam a chegada de um dos sete filhos de Neguinho, que mora na Itália. A cerimônia está marcada para às 14 horas, no Cemitério Jardim da Saudade.
Segundo informações da família, Neguinho já vinha reclamando da saúde nos últimos 15 dias. Nesta madrugada, por volta das 3 horas, o músico sentiu um mal estar e foi de táxi ao posto médico de Pernambués. No local, ele foi medicado e retornou à sua residência, no Pelourinho, voltando a se sentir mal no início desta tarde, quando veio a falecer.
Neguinho do Samba era cardiopata e há três meses perdeu uma irmã. Pessoas próximas afirmaram que, em virtude disto, andava triste. Mas ele morreu onde queria: em sua residência, um casarão no Pelourinho, onde também funciona a Escola Didá.
"Ele deixou um legado, uma marca de como se faz samba na Bahia. Eu acompanhei o processo de desenvolvimento do Olodum e ele já experimentava as novas fusões do reggae com o samba. Depois, acompanhei o trabalho cultural que ele fez com a Banda Didá. E por ironia do destino faleceu dentro da própria escola", declarou Gerônimo.
Perda irreparável - A Secretaria da Cultura suspendeu toda a programação cultural do Pelourinho, nestes sábado e domingo. Uma faixa preta permanecerá hasteada no Largo do Terreiro de Jesus, durante três dias, simbolizando o luto.
"A dor é enorme. Foi uma perda irreparável. Não perdemos somente um músico excepcional, mas uma personalidade. Ele foi muito generoso com todos à sua volta. Não dá para acreditar. É um astro que vai continuar vivo aqui com a gente“, declarou, emocionado, João Jorge, presidente do Olodum.
Neguinho do Samba - Fundador da escola de percussão do Olodum e do bloco Didá, ele também foi o inventor do ritmo "samba-reggae", modificando tambores para conseguir afinações e sonoridades diferentes, criando um ritmo musical único, com a cara da Bahia.
Filho de um tocador de "bongô" e de uma lavadeira, Neguinho desde cedo treinava percussão tocando nas bacias de alumínio de sua mãe. Foi eletricista, ferreiro e camelô. Sua música chegou a ser internacionalmente reconhecida. Maestro do Olodum, tocou com David Byrne, Paul Simon e Michael Jackson. Com Simon, o Olodum gravou o CD The Rhythm of the Saints, em 1990. Feliz com o resultado do trabalho, Simon procurou o músico e lhe ofereceu um carro importado como forma de agradecimento. Neguinho agradeceu a oferta, mas preferiu mudar o presente, e, em vez de um carro, escolheu uma casa no Pelourinho, no mesmo valor, onde fundou sua escola.
Neguinho do Samba aparece no clipe de Michael Jackson They Don't Care About Us, vestido nas cores do pan-africanismo (verde, amarelo e vermelho) regendo os percussionistas do Olodum. Assista:
Didá - O projeto nasceu pelas mãos de Neguinho, que via a necessidade de oferecer para as mulheres, principalmente as negras, um espaço para expor suas idéias e desenvolver atividades. Didá é uma associação cultural e sem fins lucrativos fundada em 1993 e que atua promovendo gratuitamente atividades educativas com base na arte e nas manifestações populares criadas e mantidas pelos africanos e por seus descendentes.
Atualmente, a instituição oferece 11 cursos - percussão, dança afro, teatro, capoeira, artesanato, canto, bateria, violão, cavaquinho, teclado e sopro, e chega a atender entre 600 a 800 crianças e adolescentes por ano.
Além dos cursos, o projeto se estende ao bloco afro carnavalesco, loja de artigos Didá e o projeto Sòdomo, centro de aprimoramento feminino Didá Banda Feminina.
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Vídeo do grupo Olodum e Neguinho do Samba em homenagem a Michael Jackson, após a morte do astro: